bahia ou são salvador

o dia passou-se deliciosamente. mas “delicia” é termo insuficiente para exprimir as emoções sentidas por um naturalista que, pela primeira vez, se viu a sós com a natureza no seio de uma floresta brasileira. a elegância da relva, a novidade dos parasitos, a beleza das flores, o verde luzidio das ramagens e acima de tudo, a exuberância da vegetação em geral, foram para mim motivos de uma contemplação maravilhada. o concerto mais paradoxal de som e de silêncio reina à sombra dos bosques. tão intenso é o zumbido dos insetos que pode perfeitamente ser ouvido de um navio ancorado a centenas de metros da praia. apesar disso, no recesso íntimo das matas, a criatura sente-se como que impregnada de um silêncio universal. para o amante da história natural, um dia como este traz consigo uma sensação de que jamais se poderá, outra vez, experimentar tão grande prazer.

29 de fevereiro, 1932 – charles darwin em viagem de um naturalista ao redor do mundo

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serviços

se os sistemas vivos são a fonte de bens desejáveis como a madeira, o peixe ou o alimento, importância ainda maior têm os serviços que eles oferecem, serviços estes muito mais decisivos para a prosperidade dos seres humanos que os recursos não-renováveis. Uma floresta fornece não só a madeira como também os serviços de armazenagem de água e de regulagem dos oceanos. Um meio ambiente saudável oferce automaticamente não só ar e água limpos; chuvas, produtividade oceânica, solo fértil e elasticidade das bacias fluviais como também certas funções menos valorizadas, como processamento de resíduos (tanto naturais quanto industriais), a proteção contra os extremos do clima e a regeneração atmosférica.

erik satie

Era, sem dúvida, a pessoa mais estranha que jamais conheci, porém a mas extraordiánia, e a mais permanentemente espirituosa também. Falava com muita suavidade, quase sem abrir a boca, mas enunciava cada palavra de uma maneira precisa, inimitável. Sua caligrafia me faz lembrar sua fala: é exata, bem lançada.Morava num bairro modesto, e seus vizinhos pareciam gostar muito que vivesse entre eles: era muito respeitado. Seu apartamento também era muito pobre. Não tinha cama; só uma rede. Lembro de que, uma vez, alguem lhe prometeu algum dinheiro e ele replicou: “Monsieur, o que o senhor disse não caiu em ouvidos surdos”.
Ele havia se voltado para a religião, perto do fim de sua vida, e começou a tomar a comunhão, regularmente. Uma vez eu o encontrei, pela manhã, ao sair da igraja, e ele me disse com aquele seu modo especial:”Então, eu comunguei um pouquinho hoje de manhã”. Adoeceu de repente e morreu muito rápido, tranquilamente.

Igor Stravinski em conversas com igor stravinski

primeiro parágrafo da semana

ontem caiu um monte de chuva enquanto eu derretia em casa, vacilando entre 2 páginas do livro, 15 minutos de algum programa de tevê e copos de coca cola. mil assuntos vagam pela cabeça sem parar em nenhum e é curioso como o resíduo disso é uma coisa híbrida, que não dá pra dizer se bom ou ruim ou triste, mas que não me deixa dormir.