três dias

voltado para o leste, as mãos postas voltadas, e disse: “ou o oceano cederá ou morrerei!” assim ficou rama durante três dias, silencioso, concentrado, conforme prescrito, atento para o oceado. mas oceano não respondeu. então rama enfureceu-se; ele se levantou, tomou de seu arco e quis secar o mar e deixar deserto lar de varuna. e disparou na direção do mar terríveis lanças, que indendiavam e penetravam nas águas, provocando grandes tempestades, aflingindo nagas e makaras do mar, de forma que os deuses ermitões que passavam pelo céu gritaram: “ai de mim!” e “basta!” mas oceano não se mostrou e rama, ameaçando-o colocou em seu arco uma flecha com um feitiço de brahma e atirou. o céu e a terra escureceram, montanhas tremeram, relâmpagos reluziram e todas as criaturas temeram, e o enorme abismo foi cavado com um impetuoso movimento.

altered beast

hoje foi um dia dia atípico e bonito. flores e espinhos parecem bem locados. dá vontade de contar o que tenho vontade de escrever aqui e não só jogar um texto, depois outro. até porque agora, na volta pra casa, foi engraçado. entre 30 gigas de todas as músicas, por acaso escolhi um disco que mostra o que ainda me motiva na música é a força. força.

teoricamente, a natureza se afasta de nós, enquanto os signos da natureza e do natural se multiplicam, substituem ou suplantam a verdadeira ‘natureza’.
esses símbolos, produzem-se massivamente e se vendem. uma árvore, uma flor, um ramo, um perfume, uma palavra converteram-se em símbolos da natureza ausente, converteram-se em sua presença fictícia e ilusória. ao mesmo tempo, a naturalização ideológica se torna obsessiva. em toda publicidade, seja de produtos alimentícios ou têxteis, seja de moradias ou de férias, a referência à natureza é uma constante. todos os ‘significados flutuantes’ que são utilizados pela retórica prendem-se a sua representação com o fim de dar-lhes sentido e conteúdo. aquilo que já carece de sentido pretende voltar a tê-lo utilizando o fetiche de ‘natureza’.

16.

– cemitérios gerais
que não toleram restos.
– nem mesmo um pouco que se possa
encomendar ao céu ou ao inferno.
– êles, todos os restos
da mesma forma tratam.
– talvez porque os mortos que têm
não tenham tal resíduo, a alma.
– talvez porque esta tem
cosistência mais rala.
– e seja no ar fácil sorvida
como uma gôta em outra de água.
– não há é por que usar,
aqui, a imagem da água.
– melhor dizer: como uma gôta
de nada em outra de nada.