Concope

Com essa fotos novas percebe-se melhor como são os povoados rurais que eu havia comentado. Esse é Cancope, localizado ao sul da vila de Moatize. Nele, a principal atividade econônica dos homens é a carvoaria.

Presenciei uma apresentação incrível de música e dança. As mulheres e crianças dançam e cantam em Nhungwe (a língua-mãe local) e os homens tocam tambores (batuques). A música é no formato pergunta-resposta, com pouca variação. Algumas das mulheres cantam a pergunta e a maioria responde outra frase. Eram 4 batuques de diferentes tamanhos, uns tocados com baquetas e outros com a mão. O rítmo base é 2/2, mas cada tambor tem sua frase, que soaram bem diferentes pros meus ouvidos desacostumados. Um dos tambores, esse tocado com baquetas, faz variações todo tempo. Uma pena eu não ter lavado o gravador dessa vez.

Os batuques e a ‘senhora FRELIMO viva’.

Anúncios

A tal da ponte

Sair de São Paulo pra pegar trânsito na África pode parecer loucura. Mas é, tem acontecido.

Como falei, a ponte sobre o Rio Zambeze, que separa Tete de Moatize (no meu caso, a casa do trabalho), passa por reformas e sempre interrompe o trânsito numa das direções. Essa hora, na direção contrária, faz uma grande fila que dura obrigatoriamente mais de meia hora. As opções são esperar no carro, sair pra fazer um tempo do lado de fora ou atravessar os 2 km a pé. Todas têm sido boas oportunidades de observar a vida por aqui.

Esse é o modelo de bicicleta que mais aparece em Tete. É chinesa e lembra uma barra-forte brasileira. Não tem marchas e ja vem equipada com para-lamas, bagageiro e farol. Custa 2300 meticais, algo como 130 reais.

Tete (Zambeze) Moatize

Eu moro em Tete e trabalho em Moatize, como a maioria dos gringos por aqui. Tete é a cidade (capital) do Estado, chamado de província. Moatize é um distrito (zona rural) ao norte de Tete, atravessando o Rio Zambeze, pela tal ponte. Em moatize vivem espalhados diversos povoados rurais. No centro do distrito ainda tem a vila de Moatize.

Nos povoados rurais as casas são de madeira e barro ou tijolos artesanais. Além da casa principal (onde dormem o chefe da família, esposa e filhos pequenos), cada família tem também um guero (onde dorme o filho mais velho que 12 anos), a cozinha (ou despensa), a casa de banho ou latrina e o estendal ou capoeira, que é uma estrutura alta que faz sombra e onde se seca o milho ou outro grão. Cria-se muito cabritos, porcos e aves. Já os bovinos são mais raros. As roças, chamadas de machambas, são sempre distante das residências pra evitar que os animais as estraguem.

No tom amarelado da paisagem rural/savana quem domina é o embondeiro. A árvore é enorme e diferente. Seus galhos parecem raízes. Se num dia parece totalmente seco e morto, no seguinte aparece folhado e com frutos. As comunidades tradicionais o consideram sagrado, e ao seu pé fazem escolas, cemitérios e casas de espírito.

Moçambique. Maputo e Tete

Faz um pouco mais de duas semana que cheguei em Moçambique. Eu não sabia nada, nada, sobre o país antes dessa viagem. Tem sido tudo novo. Todas paisagens, pessoas, lugares, sons, sabores… Por conta do horário dos vôos, passei 2 noites na capital Maputo, o que foi pouco tempo para construir uma impressão melhor. É uma grande cidade que me pareceu interessante. Tem periferia pobre, prédios antigos no centro, universidades, shopping center, restaurantes gran finos. Quero voltar logo e trago uma descrição melhorzinha. As pessoas tem me falado bem de lá. A ‘mão inglesa’ é adotada no país, os carros tem direção do lado direito e dirigem pelo lado esquerdo da rua.

Mas meu destino e atual residencia é Tete, capital da província de mesmo nome. A cidade é conhecida por ser a mais quente do país. Fica bem no centro de Moçambique, próximo ao Malawi, Zimbabwe e Tanzânia. Aqui passa uma importante estrada do sudeste africano, o que coloca a cidade num importante eixo de transporte rodoviário. Tete é dividida pelo Rio Zambeze e todo esse volume de transporte tem que passar sobre uma ponte já antiga, que atualmente passa por reformas. Diz-se por aqui que a ponte foi avariada na época das guerras por quais o país passou. O esquema adotado agora, durante tais reformas, é que durante mais ou menos meia hora passam numa direção, meia hora noutra. Um caminhão somente passa por vez, cada vez que a ponte abre numa direção. As 23 horas a ponte fecha e abre as 6 da manhã. Uma grande fila (bixa, como dizem aqui) de caminhões é constante atravessando a cidade.