Bona

É uma cerimônia fúnebre que a família organiza assim que um parente morre. Também se repete de tempos em tempos para comemoração de 5, 10 anos da morte da pessoa querida. Têm comida, muita bebida e música.

São muitas pessoas cantando, todas livres para escolher a próxima canção de acordo com o que sentir apropriado, e que será cantada por todos, mas liderada pela pessoas que escolher. Na gravação perde-se a emoção desse fluxo, que é quase um jogo, tanto de escolher e liderar a canção, como da surpresa que os outros sentem por aquela escolha.

A música é cantada, geralmente pelas senhoras, e acompanhada de batuques, normalmente tocado por homens. Durante a festa essa distinção pode ser quebrada: algumas senhoras tocam o batuque muito bem, ou lembram como se toca uma distinta canção; já os homens causam gargalhadas quando entram na roda onde as mulheres cantam e dançam.

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Eu me despeço.
Volto à minha casa, em meus sonhos.
Volto à Patagônia, aonde o vento golpeia os estábulos e salpica de frescor o Oceano.
Sou nada mais que um poeta: amo a todos, ando errante pelo mundo que amo.
Em minha pátria, prende-se mineiros e os soldados mandam mais que os juízes.
Entretanto, amo até mesmo as raízes de meu pequeno país frio.
Se tivesse que morrer mil vezes, ali quero morrer.
Se tivesse que nascer mil vezes, ali quero nascer.
Perto da araucária selvagem, do vendaval que vem do sul,
das campanas recém compradas.
Que ninguém pense em mim.
Pensemos em toda a terra, golpeando com amor a mesa.
Não quero que volte o sangue…
a molhar o pão, os feijões, a música:
quero que venha comigo o mineiro,
a criança, o advogado, o marinheiro, o fabricante de bonecas.
Que entremos no cinema e bebamos o vinho mais tinto.
Eu não vim para resolver nada.
Vim aqui para cantar e quero que cantes comigo.