Levanto às 6h30 para tomar café – de bom humor, acho, mas enquanto faço a barba Mary também levanta, me olha feio, tosse e emite pequenos grunhidos de dor até que eu fale em tom agressivo: “Além de cair morto, tem alguma coisa que eu possa fazer para te ajudar?” Não tomo café da manhã porque ele não me é oferecido – olhe só para nós, a essa altura da vida e a essa hora do dia, reencenando as brigas horríveis e amarguradas dos nossos pais, girando com ódio em volta da torradeira e do espremedor de laranja como gladiadores encolhidos e desdentados, exalando veneno, bile, maldade e petulância na cara do outro! “Posso torrar o meu pão?” “Se importa de esperar até que eu termine de torrar o meu?” Minha mãe finalmente tirando seu prato de café da mesa e comendo no guarda-louça, de costas para a mesa, com lágrimas escorrendo pelo rosto. Meu pai sentado à mesa, perguntando: “Pelo amor de Deus, o que foi que eu fiz para merecer isso?” “Me deixe em paz, apenas me deixe em paz, é tudo que peço”, ela diz. “A única coisa que eu quero”, ele diz, “é um ovo cozido. Será que é pedir demais?” “Bom, então cozinhe o seu próprio ovo”, ela grita; e essa é a voz plena da tragédia, o canto do bode. “Cozinhe o seu próprio ovo, então, mas me deixe em paz.” “Mas diabo, como é que eu vou cozinhar um ovo”, ele berra, “se você não me deixa usar a panela?” “Eu deixaria você usar a panela”, ela grita, “se você não a deixasse imunda depois. Não sei como consegue, mas tudo que você toca fica imundo.” “Eu comprei a panela”, ele ruge, “o sabão, os ovos. Pago a água e a conta do gás, e estou na minha própria casa sem conseguir cozinhar um ovo. Morrendo de fome.” “Tome”, ela diz, “coma o meu. Não consigo mais. Você acabou com o meu apetite. Destruiu o meu dia.” Ela empurra o prato para cima dele e o larga sobre a mesa. “Mas eu não quero o seu prato”, ele diz. “Não gosto de ovos fritos. Detesto ovos fritos. Por que eu deveria comer o seu café da manhã?” “Porque eu não consigo mais comer”, ela grita. “Eu não consigo comer nada nesse ambiente. Coma o meu café da manhã. Coma e faça bom proveito, mas cale a boca e me deixe em paz.” Ele afasta o prato e afunda o rosto entre as mãos. Ela pega o prato e joga os ovos fritos no lixo, soluçando terrivelmente. Ela sobe para o quarto. As crianças, que foram acordadas por esse diálogo calamitoso e heroico, tentam entender por que esse bom dia criado pelo Senhor precisa ser essa calamidade.

Aqui.

Casas, prédios e a cidade velha

Nas cidades de Moçambique grande parte das construções são antigas e estão mal preservadas. Belas casas, prédios residenciais e comerciais, todos com cara de que já tiveram dias melhores. Muitos são da época colonial (que foi até 1975), e nunca passaram por reformas. De lá pra cá, o país passou boa parte do tempo enfiado numa guerra interna brava. Diz-se que esses anos de conflito ocasionaram um grande êxodo rural, e que a população desacostumada com as habitações urbanas detonou (ou recriou) casas e apartamentos. Faziam desde roça nos banheiros à fogueiras com os tacos de madeira dos pisos. Hoje o aspecto das cidades me estranha de uma forma particular: chamam atenção pela beleza das construções, mas cria-se um certo mal estar pelo seu estado destruído. É aquela história do bonito-feio, feinho-interessante. Isso deve se dar principalmente pelo uso intenso das construções e das ruas pelas pessoas.

Em Tete são os prédios residenciais que chamam atenção.

Mas foi na cidade de Beira, a segunda maior do país, onde essa história ficou mais clara pra mim. Bom frisar que essas casas ficam na região central da cidade.

A casa dessa última foto tem uma lojinha na garagem, o que é bem comum aqui. Vende-se bebidas e algumas comidas, doces.

howlinwolf
em visita, howlin wolf vem contar que são terras entre mato grosso do sul e são paulo. entretanto entrete-se entre black metal e também sons próximos da terra mais experiências visuais e sensitivas.

voz do mar, rio, corrego, riacho ou tubulações

esses dias coincidiu de ouvir isso e ler isso:
foi o primeiro som que se fez ouvir? foi a carícia das águas. o oceano dos nossos ancestrais encontra-se reproduzido no últero aquoso de nossa mãe e está quimicamente relacionado com ele. oceano e mãe. ondas fustigadas na ressaca, arremessando as primeiras rochas, enquanto o anfíbio surge no mar. e embora ele possa, ocasionalmente, dar as costas às ondas, nunca escapará de seu encanto atávico. “o homem sábio deleita-se com a água”, diz Lao-tsé. todos os caminhos do homem levam à água. ela é o fundamento da paisagem sonora original e o som que, acima de todos os outros, nos dá o maior prazer, em suas incontáveis transformações. – Murray Schafer

agora quase dá pra entender o nome do blog.

grande coisa

Não resido com minha família, mas em um imóvel alugado, o qual divido com um amigo. As contas, aluguel, condomínio, energia elétrica, telefone e seguro fiança são divididas igualmente entre os 2 moradores.

Apesar de não residir com meu “grupo familiar”, fui auxiliado pela Secretaria do _ a incluir as informações, pessoais e redimento financeiro de meus familiares, em anexo.

Como minha família reside em outro município, opitei por morar em um imóvel alugado em São Paulo, para estudar e trabalhar na cidade.

O apartamento é simples e a faculdade não é das mais caras, mas somando, os valores são altos e minha remuneração fica justa frente às despesas.

A bolsa de estudos é uma oportunidade que busco no _, como meio de continuar meus estudos.

Escolhi a modalidade Carência Financeira pois preciso trabalhar e no momento, não disponho de tempo para Iniciação Científica ou Monitoria. Apesar de me interessar por ambos e pretender me candidatar no futuro.