doctor glas

I could hardly become a poet – I see nothing which others haven’t seen already and given form to. Of course I know a few authors and artists; queer creatures, in my view. There’s nothing they have a will to; or, if there is, then they do the opposite. They are just ears and eyes and hands. Yet I envy them. Not that I would exchange my will for their visions, but I should very much like to have their eyes and ears into bargain.

Anúncios

A tal da ponte

Sair de São Paulo pra pegar trânsito na África pode parecer loucura. Mas é, tem acontecido.

Como falei, a ponte sobre o Rio Zambeze, que separa Tete de Moatize (no meu caso, a casa do trabalho), passa por reformas e sempre interrompe o trânsito numa das direções. Essa hora, na direção contrária, faz uma grande fila que dura obrigatoriamente mais de meia hora. As opções são esperar no carro, sair pra fazer um tempo do lado de fora ou atravessar os 2 km a pé. Todas têm sido boas oportunidades de observar a vida por aqui.

Esse é o modelo de bicicleta que mais aparece em Tete. É chinesa e lembra uma barra-forte brasileira. Não tem marchas e ja vem equipada com para-lamas, bagageiro e farol. Custa 2300 meticais, algo como 130 reais.

Moçambique. Maputo e Tete

Faz um pouco mais de duas semana que cheguei em Moçambique. Eu não sabia nada, nada, sobre o país antes dessa viagem. Tem sido tudo novo. Todas paisagens, pessoas, lugares, sons, sabores… Por conta do horário dos vôos, passei 2 noites na capital Maputo, o que foi pouco tempo para construir uma impressão melhor. É uma grande cidade que me pareceu interessante. Tem periferia pobre, prédios antigos no centro, universidades, shopping center, restaurantes gran finos. Quero voltar logo e trago uma descrição melhorzinha. As pessoas tem me falado bem de lá. A ‘mão inglesa’ é adotada no país, os carros tem direção do lado direito e dirigem pelo lado esquerdo da rua.

Mas meu destino e atual residencia é Tete, capital da província de mesmo nome. A cidade é conhecida por ser a mais quente do país. Fica bem no centro de Moçambique, próximo ao Malawi, Zimbabwe e Tanzânia. Aqui passa uma importante estrada do sudeste africano, o que coloca a cidade num importante eixo de transporte rodoviário. Tete é dividida pelo Rio Zambeze e todo esse volume de transporte tem que passar sobre uma ponte já antiga, que atualmente passa por reformas. Diz-se por aqui que a ponte foi avariada na época das guerras por quais o país passou. O esquema adotado agora, durante tais reformas, é que durante mais ou menos meia hora passam numa direção, meia hora noutra. Um caminhão somente passa por vez, cada vez que a ponte abre numa direção. As 23 horas a ponte fecha e abre as 6 da manhã. Uma grande fila (bixa, como dizem aqui) de caminhões é constante atravessando a cidade.

tem a versão remasterizada do reign in blood, e como é uma experiência agradável redescobrí-lo. a forma mais indicada para isso é usando-o como trilha sonora de um enfrentamento, tanto faz do quê. eu gosto de fazê-lo contra a cidade, e transpô-la à minha vontade. é meu desafio.

mesmo sem ter comprado o disco em 86, é talvez o que mais ouvi na vida. já em cd, em mais um reembolso postal da loja rock machine (encartado em quarquer nº de rock brigade), junto de camisetas mal teladas e demais artefatos metálicos, quando morava em campinas/sp ou tubarão/sc.

a tal da experiência na rua nao requer nada de mais, talvez cervejas e um bom cynar a potencializem. e garantio que a sequencia altar of sacrifice e jesus saves não será a mesma. to lembrado que já recomendei sabbath como desculpa para entorpecimento de alguns (sem nomes), mas thrash metal funciona tão bem quanto. gostei como criminally insane ganha realismo e o vocal salta na cara. percebi até certa rouquidão, como voz forçada depois de esforço. nem parece mega cleanproduction de rick rubin.

é interessante como um disco já tão acostumado (no sentido de quando ouvir mal perceber música, mas lembranças que essa traz), consegue ganhar reinterpretação apenas pela releitura da produção, sem notar nenhuma nota a mais, afinal todos riffs, solos, sílabas e levadas são decorados e fazem parte dessa nuvem que é a experiência anterior de repetidas milhões de audições em situações diferentes.

andar na rua

Para Raban a cidade não pode mais ser relacionada à imagem de uma enciclopédia, como faziam os modernistas em via de categorizar e hierarquizar os tipos urbanos, mas um “caderno de rabiscos” seria mais apropriado como exemplo do demasiado complexo “labirinto, formado como uma colméia, por redes tão diversas de interação social orientadas para metas tão diversas”. Na cidade cria-se mais ampla liberdade de ação, que deixa de exigir uma rígida formação de identidade, para favorecer uma personalidade fluida. Completa afirmando que dessa forma, para o bem ou para o mal, a cidade convida seu morador a refazê-la, a consolidá-la numa forma em que se possa viver nela. “Decida quem você é, e a cidade mais uma vez vai assumir uma forma fixa ao seu redor. Decida o que ela é, e a sua própria identidade será revelada”.