O projeto desse semestre

A melhoria do uso do Parque se relaciona com a sensibilização dos freqüentadores, na medida que o aumento qualitativo e quantitativo dos freqüentadores ocorre, quando se valoriza sua função de protetor de recursos naturais e espaço de lazer público.

O desenvolvimento de um Parque com qualidade, capaz de exercer de modo eficaz suas funções como área verde urbana, não depende só de investimento público, este deve vir acompanhado do aumento de civismo na comunidade, conseqüência de uma mudança não só comportamental, mas também cultural, já que agrega valores, e visa melhoria da qualidade de vida pela revisão do quadro de segregação da cidade com qualidade.

Segundo Jane Jacobs em Morte e Vida de Grandes Cidades, o comum é esperar que os Parques Urbanos sejam uma ajuda positiva na transformação do entorno, mas o que acontece é justamente o inverso: “Os próprios Parques de bairro é que são direta e drasticamente afetados pela maneira como a vizinhança neles interfere” (JACOBS, 1961).

Temos exemplos dessa relação em São Paulo, onde é comum ver Parques ou praças equipados e abandonados pela comunidade, enquanto outros, talvez nem tão equipados, vivenciam uso intensivo e sadio, o que confere sua utilidade e sucesso, conforme Jacobs completa: “Nas cidades, a animação e a variedade atraem mais animação; a apatia e a monotonia repelem a vida”.

Através de indicadores encontrados na bibliografia pesquisada e pesquisas com a administração e freqüentadores do Parque Guarapiranga, conclui-se que ao seu redor existe um bairro recente que, por oferecer preço menor de moradia, continua recebendo novos moradores, apesar da falta de estrutura básica como saneamento e da fragilidade da área com relação a problemas ambientais, por estar inserido em região de mananciais e da proximidade da Represa Guarapiranga.

Tal exemplo de ocupação remete à fórmula da “área-problema” em “Os embates entre as questões ambientais e sociais no urbano” de Bitoun, que explica a formação de um ambiente urbano de baixa qualidade pelo relacionamento de desigualdade social e degradação do meio. Ou seja, os mais pobres obrigados a ocupar ambientes físicos que, para serem construídos corretamente, exigem custos maiores. (BITOUN, 2003)

O bairro é pouco desenvolvido e diversificado quanto ao uso, basicamente residencial, e vive o êxodo diário de seus moradores buscando o trabalho nos pólos comerciais e industriais da cidade.

Com exceção dos finais de semana, quando recebe visitantes de outros locais da cidade, o Parque vive situação semelhante, pelo uso majoritário de moradores do entorno: restrito aos horários de lazer, fica vazio a maior parte do tempo. Assim, torna-se propício ao mau uso, que busca áreas urbanas deterioradas e nunca ocuparia um Parque apreciado e cheio de vida, e assiste a degeneração de suas funções.

O envolvimento de seus freqüentadores e moradores do entorno em um programa de sensibilização socioambiental pretende proporcionar condições de articulação na comunidade, pela formação de multiplicadores de conhecimento, também conhecidos como articuladores. Gandhi, citado por Pierre Weil, define: “o compromisso do articulador, além de conhecer e buscar praticar na sua vida cotidiana os princípios e valores da cultura de paz é o de mobilizar para disseminação desses valores e contribuir diretamente na execução de projetos”.

A formação da rede social, mobilizada para discutir, entender, propor e praticar soluções às questões que vivenciam, são meios de reanimar a comunidade, no melhor sentido da palavra. Anima em latim é alma, a parte espiritual do homem, e dar uma nova alma pode ser entendido como um renascimento, no hinduísmo, ou à volta da morte, entre os cristãos.

As comunidades são importantes para o envolvimento entre os cidadãos e a identificação com o espaço, na resolução de problemas locais. Segundo Manuel Castells as comunidades são formadas a partir de movimentos urbanos, voltados para interesses comuns, “direcionados a três conjuntos de metas principais: necessidades urbanas de condições de vida e consumo coletivo; afirmação da identidade cultural local; e conquista da autonomia política local e participação na qualidade de vida cidadãos” (O Poder da Identidade – A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura, vol. 2 – 2000).

Esse caminho para nova vida do bairro, sobrepondo os problemas, desenvolvendo-se e diversificando-se, refletirá o mesmo no Parque por desenvolver sua mais valiosa função, a convivência pública, o encontro e a troca entre pessoas e também promover novos costumes e comportamentos em relação ao meio ambiente e aos espaços públicos. Dessa forma garante suas funções no incremento da qualidade de vida na região.

Em primeiro lugar, ensinar as pessoas como ouvir mais cuidadosa e criticamente a paisagem sonora. Depois, precisamos solicitar sua ajuda para replanejá-la.

O combate à poluição sonora pela diminuição do ruído é uma abordagem negativa. É possível uma maneira de tornar a acústica ambiental um programa de estudos positivo. Que sons queremos preservar, encorajar, multiplicar? Quando soubermos responder a essa pergunta, os sons desagradáveis ou destrutivos predominarão a tal ponto que saberemos por que devemos eliminá-los. Somente uma total apreciação do ambiente acústico pode nos dar recursos para aperfeiçoar a orquestração da paisagem sonora mundial.

R. Murray Schafer, Afinação do Mundo.

áreas verdes urbanas

guarapiranga
As árvores em vias públicas e demais áreas livres de edificação são constituintes da floresta urbana, atuam sobre o conforto humano no ambiente, por meio das características naturais da vegetação arbórea, proporcionando sombra para pedestres e veículos, redução da poluição sonora, melhoria da qualidade do ar, redução da amplitude térmica, abrigo para pássaros e harmonia estética amenizando a diferença entre a escala humana e outros componentes arquitetônicos como prédios, muros e grandes avenidas.

Segundo MILANO & DALCIN (2000), existem aspectos positivos das árvores nas cidades os quais podem ser mensurados, avaliados e monitorados, caracterizando benefícios e, conseqüentemente, objetivos que passam a ser estabelecidos no planejamento:
– estabilização e melhoria microclimática;
– redução da poluição atmosférica;
– diminuição da poluição sonora;
– melhoria estética das cidades;
– ação sobre a saúde humana;
– benefícios sociais, econômicos e políticos.

Pode-se citar também a absorção da radiação ultravioleta, dióxido de carbono e a redução do impacto da água de chuva e seu escorrimento superficial.

De: http://www.ipef.br/silvicultura/urbana.asp

serviços

se os sistemas vivos são a fonte de bens desejáveis como a madeira, o peixe ou o alimento, importância ainda maior têm os serviços que eles oferecem, serviços estes muito mais decisivos para a prosperidade dos seres humanos que os recursos não-renováveis. Uma floresta fornece não só a madeira como também os serviços de armazenagem de água e de regulagem dos oceanos. Um meio ambiente saudável oferce automaticamente não só ar e água limpos; chuvas, produtividade oceânica, solo fértil e elasticidade das bacias fluviais como também certas funções menos valorizadas, como processamento de resíduos (tanto naturais quanto industriais), a proteção contra os extremos do clima e a regeneração atmosférica.